segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Babel (Alejandro Gonzalez Iñárritu)


- Esse texto faz parte de um trabalho de Rádio TV em que analisamos o máximo de características do diretor mexicano Alejandro Gonzalez Iñárritu. Dentre os filmes analisados no trabalho, estão "Babel", "21 Gramas" e "Amores Brutos". Entretanto, esse texto está falando apenas de "Babel". Caso queiram o trabalho inteiro, só pedir.


Análise:

Babel trata de temas relacionados ao status social de cada personagem. “Babel” reflete as desigualdades sociais e como cada classe age diante dos problemas de seu cotidiano.
Para fazer com que o telespectador se encontre dentro do filme, a câmera geralmente não assume um ponto de vista estático. Essa situação é encontrada em todos os momentos em que outros diretores costumam se utilizar de câmeras fixas que não se mexem (dentre os diretores que filmam dessa maneira, poderíamos citar o inglês Stephen Frears). Além disso, a câmera que anda a solta entre os personagens faz com que o filme não pareça tão parado, dando mais emoção a sua longa.
Os enquadramentos feitos por Iñárritu são de extrema precisão sempre apresentando aquilo que ele quer demonstrar. O diretor não se preocupa em filmar apenas por meios de planos de ação cósmica, externa ou interna, mas busca a melhor maneira de apresentar aquilo que lhe convém, variando entre planos abertos e fechados.
Quando as histórias vão chegando ao seu clímax, o diretor passa a apresentar um número maior de close ups, querendo dramatizar o filme, transmitindo as sensações dos personagens por meio da parte do corpo que melhor transmite os sentimentos do ser humano: o seu rosto.
Continuando ainda a falar de estética, Iñárritu tem o costume de movimentar a câmera de várias formas, mas a única que não é muito utilizada é a técnica de zooming. A única vez que podemos perceber claramente que o diretor se utiliza dessa ferramenta é a última cena do filme, em que a jovem japonesa se encontra nua na varanda de seu apartamento. Nesse momento, o plano focal proporciona o afastamento da imagem (zoom out), apresentando a personagem e o ambiente em que ela vive, dando a idéia de que a jovem é apenas mais uma no mundo.
Essa idéia de mostrar que as pessoas estão interligadas e nenhuma tem mais importância que a outra pode ser percebida até mesmo pelo elenco do filme. O filme é estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, mas dentro do longa, nenhum dos dois parece ter mais importância que os outros personagens.
A narrativa não linear é o fator que mais chama atenção nos filmes de Alejandro Gonzalez. Esse modelo é construído por meio dos cortes secos, permitindo que o telespectador entenda que as situações ocorrem ao mesmo tempo e não estão desconexas umas das outras. Do mesmo modo, o roteiro é muito bem construído por Guillermo Arriaga. As cenas, através do roteiro, passam a ter ligação e a história torna-se entendível com o desenvolver do filme.
Os diálogos que são expostos ao longo do filme estão presentes para que o telespectador veja que o que é retratado é a vida real. São diálogos comuns no nosso dia-a-dia, nada que fuja da realidade. Sendo coerente a essa idéia de realismo, o diretor se utiliza de cenários divergentes, mas que narram o cotidiano de povos diferentes. No caso, o diretor faz analogia entre os povos desenvolvidos e o Japão, os povos subdesenvolvidos e o México, e os povos abaixo da linha da pobreza e o Marrocos.
Dessa maneira, não apenas os povos a quem cada país se relaciona se identificam. Muito pelo contrário, o fato do diretor exibir culturas divergentes coopera para que as pessoas se conscientizem que existe um mundo afora que poucos conhecem, transmitindo um universo contemplado por poucas pessoas.

2 comentários:

  1. Ola Boa Noite
    Estou a realizar um trabalho sobre a trilogia de Alejandro Gonzalez Iñárrituho para uma cdeira de cinema se fosse possivel ter aceso a totalidade da sua analise seria uma ajuda preciosa.
    obrigado
    tânia pereira

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  2. Olá, tambem gostaria de ter acesso ao trabalho completo por favor!
    Obrigado!
    Mathieu

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