sábado, 20 de novembro de 2010

Um pouco da vida



Nascido em 1989, em Presidente Prudente, interior de São Paulo, cresci sob influência da cultura da cidade pequena e dos pais (quase) sempre presentes. Quando criança, assisti “Star Wars”e me diverti com “Os Batutinhas”, joguei futebol e andei de skate, gostei e desgostei de pêra, aprendi com os erros e acertos da infância.

Criado por pais cristãos, sempre acreditei num poder maior. Quando pequeno, aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e entendi Sua maneira de amar e nos fazer sentir amados. Na igreja, concordei e discordei, entendi e não compreendi, mas percebi que o melhor é ser livre para pensar e argumentar num ambiente completo de pensamentos variados.
Cresci sob a pobre visão de que Presidente Prudente era a melhor cidade do mundo. Mas, aos 15 anos, viajei para Salt Lake (EUA) e percebi que o interior está muito longe de ser algo grande e perfeito. Aos poucos, fui crescendo e entendendo que existia algo mais além daquela cidade. Resolvi mudar-me para São Paulo.

Na terra da garoa, fiz novos amigos, iniciei o curso de Comunicação Social e passei a gostar de filmes “cults”. Assim, iniciei um curso de Cinema e reaproximei-me da arte. Aprendi um pouco de fotografia e hoje a aprecio de forma diferente, relacionando-a com o cinema e a arte urbana, gostos particulares antigos.

Mesmo após 21 anos, são poucas as datas memoráveis do meu calendário. Lembro-me apenas de emoções. Recordo-me do momento em que ganhei meu primeiro videogame, do dia em que fui dormir pela primeira vez fora de casa, do mês em que pela primeira vez viajei para fora do Brasil e do ano em que meu tio faleceu. É claro que há mais lembranças, mas este é aquele pouco que se tornou muito, após algum tempo.

Durante esse tempo, aprendi um idioma diferente, li alguns livros, assisti vários filmes, viajei para lugares distantes, relacionei-me e briguei com meus pais, senti raiva e falta do meu irmão, fiz novas amizades, conheci e perdi familiares, entendi um pouco do valor da vida.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

21 Gramas


Numa narrativa não linear, em que seus personagens pouco a pouco são definidos, é que Alejandro Gonzales nos apresenta 21 gramas. Seu roteiro novamente assinado por Guillermo Arriaga nos traz uma de suas grandes marcas: a fragilidade dos personagens após seus destinos serem cruzados. Esse fato é mostrado por meio de um acidente automobilístico que acaba por marcar a vida de todos os envolvidos.
Em seus primeiros takes, logo percebemos a estética fotográfica do filme onde a tonalidade do branco nos salta aos olhos, causando a impressão de sempre estarmos presenciando a aurora dos personagens. Também pode se notar a utilização de filtros frios e quentes, sempre puxando as cores para o azul ou o vermelho.
O posicionamento da câmera primeiramente evidencia a situação dos personagens principais, alternando sua posição de alta, para baixa e normal. Como sendo uma de suas principais características a câmera solta, o diretor é livre para buscar o melhor enquadramento da cena, utilizando close-ups para cenas de maior conflito, focando as expressões e sentimentos dos personagens.
Em algumas de suas cenas, Iñárritu também nos mostra a ótica de seus personagens através da utilização da câmera subjetiva, uma de suas características. E em alguns momentos o recurso da nitidez focando e tirando o foco, nos traz um maior enfoque nos sentimentos dos personagens que aparecem ao fundo.
Sua trilha sonora é praticamente ausente. No filme, ela apenas nos dá certos tons para uma maior dramatização, tendo seu som ambiente em maior evidência. Um dos pontos mais altos do filme, em que finalmente seu roteiro se desdobra, ocorre uma grande quebra sonora. E assim, por meio dessa ausência de som, a situação produz uma maior apreensão do telespectador, ampliando a sensação do caos.
É com uma narração em off que Iñárritu fecha o filme, perguntado-nos a respeito de quais são as perdas e os ganhos do ser humano, tornando o filme ainda mais poético.