terça-feira, 9 de novembro de 2010

21 Gramas


Numa narrativa não linear, em que seus personagens pouco a pouco são definidos, é que Alejandro Gonzales nos apresenta 21 gramas. Seu roteiro novamente assinado por Guillermo Arriaga nos traz uma de suas grandes marcas: a fragilidade dos personagens após seus destinos serem cruzados. Esse fato é mostrado por meio de um acidente automobilístico que acaba por marcar a vida de todos os envolvidos.
Em seus primeiros takes, logo percebemos a estética fotográfica do filme onde a tonalidade do branco nos salta aos olhos, causando a impressão de sempre estarmos presenciando a aurora dos personagens. Também pode se notar a utilização de filtros frios e quentes, sempre puxando as cores para o azul ou o vermelho.
O posicionamento da câmera primeiramente evidencia a situação dos personagens principais, alternando sua posição de alta, para baixa e normal. Como sendo uma de suas principais características a câmera solta, o diretor é livre para buscar o melhor enquadramento da cena, utilizando close-ups para cenas de maior conflito, focando as expressões e sentimentos dos personagens.
Em algumas de suas cenas, Iñárritu também nos mostra a ótica de seus personagens através da utilização da câmera subjetiva, uma de suas características. E em alguns momentos o recurso da nitidez focando e tirando o foco, nos traz um maior enfoque nos sentimentos dos personagens que aparecem ao fundo.
Sua trilha sonora é praticamente ausente. No filme, ela apenas nos dá certos tons para uma maior dramatização, tendo seu som ambiente em maior evidência. Um dos pontos mais altos do filme, em que finalmente seu roteiro se desdobra, ocorre uma grande quebra sonora. E assim, por meio dessa ausência de som, a situação produz uma maior apreensão do telespectador, ampliando a sensação do caos.
É com uma narração em off que Iñárritu fecha o filme, perguntado-nos a respeito de quais são as perdas e os ganhos do ser humano, tornando o filme ainda mais poético.

2 comentários:

  1. Poxa! Escreveu legal! Você curte cinema? Estuda isso? Bacana! Também gostei da forma como o filme trabalhou com certos enquadramentos, explorando as partes emocionais e permitindo momentos tensos pelos olhares dos personagens.

    Bacana!

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  2. Boa análise. Você estuda o que?

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