segunda-feira, 27 de junho de 2011

O livro mais mal-humorado da Bíblia


'Para John Stott: Crer também é pensar é perguntar o que não sabe e verificar se as verdades aprendidas resistem a um teste mais rigoroso. Como seria bom se as pessoas pensassem mais. Elas estariam mais prontas a aceitar o convite que Deus faz ao profeta Isaías (1:18): "Venha, vamos refletir juntos". Deus não tem nenhum problema com esse negócio de pensar, duvidar e questionar, pois sabe que a fé sem arestas é uma fé que se acomodou no confortável, isolou-se em um mundinho cor-de-rosa que inventou para si, é uma fé que já morreu mas ainda não foi enterrada.'

Ed René Kivitz

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Apelo


Foto: ahkatayama

'Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.

E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada - o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.'

(Dalton Trevisan, O Conto Brasileiro Contemporâneo, 2.ª ed, São Paulo, Cultrix)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Arrependimento


“Essa profunda reconsideração é o que a palavra arrependam-se significa. Significa que se começa a olhar cada faceta de sua vida novamente sob essa nova luz – indo do modo como se pensa a respeito de Deus à maneira com que se trata a esposa; das aflições políticas a como se gasta o dinheiro; do que nos deixa irados ao que nos faz felizes. Isso não significa que tudo mudará de uma vez; significa, contudo, que se está aberto à possibilidade de que tudo possa mudar com o tempo. Está aqui envolvida uma percepção profunda de que se possa estar errado (errado a respeito de tantas coisas), além de um desejo sincero de se refazer tudo em torno do que é bom e verdadeiro.”

Brian McLaren

sábado, 20 de novembro de 2010

Um pouco da vida



Nascido em 1989, em Presidente Prudente, interior de São Paulo, cresci sob influência da cultura da cidade pequena e dos pais (quase) sempre presentes. Quando criança, assisti “Star Wars”e me diverti com “Os Batutinhas”, joguei futebol e andei de skate, gostei e desgostei de pêra, aprendi com os erros e acertos da infância.

Criado por pais cristãos, sempre acreditei num poder maior. Quando pequeno, aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e entendi Sua maneira de amar e nos fazer sentir amados. Na igreja, concordei e discordei, entendi e não compreendi, mas percebi que o melhor é ser livre para pensar e argumentar num ambiente completo de pensamentos variados.
Cresci sob a pobre visão de que Presidente Prudente era a melhor cidade do mundo. Mas, aos 15 anos, viajei para Salt Lake (EUA) e percebi que o interior está muito longe de ser algo grande e perfeito. Aos poucos, fui crescendo e entendendo que existia algo mais além daquela cidade. Resolvi mudar-me para São Paulo.

Na terra da garoa, fiz novos amigos, iniciei o curso de Comunicação Social e passei a gostar de filmes “cults”. Assim, iniciei um curso de Cinema e reaproximei-me da arte. Aprendi um pouco de fotografia e hoje a aprecio de forma diferente, relacionando-a com o cinema e a arte urbana, gostos particulares antigos.

Mesmo após 21 anos, são poucas as datas memoráveis do meu calendário. Lembro-me apenas de emoções. Recordo-me do momento em que ganhei meu primeiro videogame, do dia em que fui dormir pela primeira vez fora de casa, do mês em que pela primeira vez viajei para fora do Brasil e do ano em que meu tio faleceu. É claro que há mais lembranças, mas este é aquele pouco que se tornou muito, após algum tempo.

Durante esse tempo, aprendi um idioma diferente, li alguns livros, assisti vários filmes, viajei para lugares distantes, relacionei-me e briguei com meus pais, senti raiva e falta do meu irmão, fiz novas amizades, conheci e perdi familiares, entendi um pouco do valor da vida.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

21 Gramas


Numa narrativa não linear, em que seus personagens pouco a pouco são definidos, é que Alejandro Gonzales nos apresenta 21 gramas. Seu roteiro novamente assinado por Guillermo Arriaga nos traz uma de suas grandes marcas: a fragilidade dos personagens após seus destinos serem cruzados. Esse fato é mostrado por meio de um acidente automobilístico que acaba por marcar a vida de todos os envolvidos.
Em seus primeiros takes, logo percebemos a estética fotográfica do filme onde a tonalidade do branco nos salta aos olhos, causando a impressão de sempre estarmos presenciando a aurora dos personagens. Também pode se notar a utilização de filtros frios e quentes, sempre puxando as cores para o azul ou o vermelho.
O posicionamento da câmera primeiramente evidencia a situação dos personagens principais, alternando sua posição de alta, para baixa e normal. Como sendo uma de suas principais características a câmera solta, o diretor é livre para buscar o melhor enquadramento da cena, utilizando close-ups para cenas de maior conflito, focando as expressões e sentimentos dos personagens.
Em algumas de suas cenas, Iñárritu também nos mostra a ótica de seus personagens através da utilização da câmera subjetiva, uma de suas características. E em alguns momentos o recurso da nitidez focando e tirando o foco, nos traz um maior enfoque nos sentimentos dos personagens que aparecem ao fundo.
Sua trilha sonora é praticamente ausente. No filme, ela apenas nos dá certos tons para uma maior dramatização, tendo seu som ambiente em maior evidência. Um dos pontos mais altos do filme, em que finalmente seu roteiro se desdobra, ocorre uma grande quebra sonora. E assim, por meio dessa ausência de som, a situação produz uma maior apreensão do telespectador, ampliando a sensação do caos.
É com uma narração em off que Iñárritu fecha o filme, perguntado-nos a respeito de quais são as perdas e os ganhos do ser humano, tornando o filme ainda mais poético.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Bodas de Ouro

video

O fim de semana já estava encaminhado para apenas um evento: bodas de ouro dos meus avós.


Discussões rolavam para decidir o quê e como apresentar nas bodas. A ansiedade por um momento como aquele era grande. Depois de alguns desentendimentos e entendimentos, o evento se iniciou. Minha mãe começou a expressar sua alegria diante do motivo do evento, agradecendo os convidados por estarem lá. Meu tio Seiji falou da importância do amor, dando ênfase no poder do perdão e da graça. Todos cantamos "Seja engrandecido oh Deus da minha vida…". Meu tio Edson que havia vindo do Japão apenas para o evento se mostrava feliz e disse com palavras calorosas o quanto havia tomado como exemplo meus pais. O evento continuou…Houve momentos de elogio, emoção, choro…Brindamos kampai.


A graça, o perdão e o amor estava naquele ambiente. Um Deus que não se vê pôde ser entendido...

sábado, 7 de agosto de 2010

Dia dos pais

Pai,

Primeiramente, obrigado. Obrigado por cuidar de nós e nos mostrar a como nos cuidar. Obrigado pelas piadas e pelos papos sérios. Obrigado pelas viagens para lugares quentes (as vezes como o México) e para lugares frios. Obrigado por jogar (ou melhor, ter jogado) bola conosco. Obrigado por nos entender, mesmo em meio a tantos problemas que já trouxemos. Obrigado por se alegrar com nossas alegrias e nos sustentar quando tudo parece dar errado. Obrigado pela forma de nos ensinar e nos amar. Obrigado porque hoje sabemos que o que somos e o que temos não faz parte do mero acaso, mas muito se deve pelo exemplo que podemos ter e ver naqueles que nos acompanham. Muito obrigado por ser pai, nosso pai.

São muitas as lembranças que temos juntos. Talvez, o obrigado seja responsável não apenas pelo início do texto, mas por toda a vida. Por isso, obrigado por nos ajudar a escrever as nossas próprias histórias e ver que o amor não se apresenta apenas na palavra “pai”, mas na pessoa que podemos ver nela.

André e Márcio.