terça-feira, 24 de março de 2009

Resenha - "O que é Ideologia?" (Marilena Chauí)

A submissão de um trabalhador ao seu patrão sempre foi aceito como parte dos resquícios da história, mas poucos se perguntaram o porquê desse panorama. Alguns pensam uma coisa, outros em outra. Para Marilena Chauí, essa problemática só poderia ser explicada citando-se uma palavra: Ideologia. E para isso, tornou-se necessário escrever o livro “O que é ideologia?” comentando a respeito do que levou os diferentes tipos de ideologias a se transformarem durante o percurso da história.

O livro é da editora Brasiliense, divide-se em cinco capítulos. O primeiro faz referência ao por que do livro estudar o tema “Ideologia”. Os outros acabam comentando um por um a respeito de dado momento da história e da visão dos seus filósofos em relação ao chamado ideologia. As suas páginas se iniciam com os gregos e terminam no século XX, analisando as transformações que trouxeram conseqüências para o mundo moderno. O livro, entretanto, não rodeia apenas esses extremos, mas faz referencia à época de Augusto Comte, Karl Marx e Émile Durkheim.

A ideologia começa a se mostrar presente com Aristóteles e sua teoria das quatro causas. Para ele, todo e qualquer aspecto da realidade tinha um motivo. As causas, entretanto, segundo a teoria da causalidade, não tinham o mesmo valor, mas eram hierarquizadas. A causa motriz (ou eficiente) que fazia referencia ao fabricar humano, responsável por transformar uma matéria prima em manufatura, era a menos valiosa. Ao contrário desta, a causa final, ou seja, o motivo ou finalidade de alguma coisa era a mais importante. Devido essa teoria, a mente do homem começou a analisar a sua realidade através dela e, assim, iniciou-se a formulação de uma ideologia que acreditava que os escravos da época seriam a causa motriz e os seus senhores, a final.

Depois de Aristóteles, Augusto Comte se encarregou de ampliar a visão de o que era ideologia. Para Comte, a humanidade tende a passar por três fases: a fase fetichista ou teológica em que o homem explica a realidade por meio do mover divino; a fase metafísica em que o homem explica a realidade através de princípios gerais e abstratos; e a fase positiva ou cientifica em que o homem contempla a realidade, a analisa, formula leis gerais e cria uma ciência social que servirá de base para o comportamento individual e coletivo. Cada uma dessas explicações para os fenômenos naturais e humanos compõe uma teoria, ou melhor, uma ideologia.

Logo após Comte, o livro começa a explicar Karl Marx e a sua visão em relação à existência da ideologia nas diferentes sociedades. Marx acredita que a ideologia se utiliza de inúmeros meios para alienar o povo, como por exemplo, através do Estado. Para o povo, este seria a representação do interesse geral, mas, na verdade, ele é a expressão das vontades e interesses da classe dominante da sociedade. Outro exemplo de ideologia seria apresentar a sociedade civil como um indivíduo coletivo, pois através disso ocultaria a realidade da sociedade que é comprimida pela luta de classes.

A ideologia durante toda a historia serviu de instrumento de dominação, mascarando a realidade social e ocultando a verdade dos dominados. A ideologia serve para legitimar a dominação econômica, social e política. O seu papel é criar na mente das pessoas uma idéia de que todo fenômeno que acontece no mundo é algo natural e que não existe uma razão lógica para isso.

O livro chega ser um pouco enfadonho por repetir várias vezes um mesmo tema, mas se mostra cheio de conteúdo ao explicar uma por uma as fases da historia e suas ideologias. “O que é ideologia” ensina o real significado da ideologia ao leitor e apresenta o assunto de maneira organizada e entendível. A distribuição que a autora faz de capítulos torna a leitura uma leitura fácil e objetiva. Marilena Chauí buscou apresentar no livro as diversas formas com que os dominantes se utilizam para exercer seu poder de dominação.

Marilena Chauí é professora de História da Filosofia e de Filosofia Política da Universidade de São Paulo, autora de mais de dez livros. Fez parte da política, sendo secretária Municipal de Cultura de São Paulo no governo de Luiza Erundina (1989-1992). Tem bastante influência sobre o ramo da Filosofia, sendo presidente da Associação de Estudos Filosóficos do Século XVII. Seus livros revelam temas principalmente filosóficos, como ideologia, ética, senso comum, mitos e outros fatores influentes na vida do homem.


(André Hiroshi Katayama, acadêmico do Curso de Comunicação Social da ESPM)

domingo, 8 de março de 2009

Choro


"O choro pode ser flexível, mas nada se compara aos sentimentos inalados por aquele que o vê, por aquele que o sente. São tantas intenções, são tantas previsões, mas os nossos olhos não conseguem enxergar o que está por vir.
Olhos que não planejam, olhos que apenas vivem. Diferenças respeitadas, semelhanças desentendidas. A perda do controle. A vitória da crença."

(a.h.k.)

quinta-feira, 5 de março de 2009

A Obra-prima Ignorada

"Preenchem com cor as linhas do rosto num tom de carne preparado na paleta, tendo o cuidado de deixar um lado mais escuro que o outro, e pelo fato de observarem de vez em quando uma mulher nua em pé sobre uma mesa acreditam que estão copiando a natureza, imaginam-se pintores e estão crentes que roubaram o segredo de Deus!...Brrr! Para tornar-se um bom poeta não basta conhecer a fundo a sintaxe e observar as regras da linguagem! (...)"

(A Obra-prima Ignorada - Balzac)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Para os pensativos...



Clima quente, não havia feito calor até então durante todo o ano. Já chegara o outono. Barulho, pessoas conversando e se entretendo com suas respectivas panelinhas. De repente, um professor jovem, bem vestido e com um determinado ar de filósofo entra na sala, espera todos ficarem em silencio e começa a ensinar sua matéria. Todos se sentam e ficam esperando por ouvir algo novo que fará deles pessoas diferentes em relação à chamada massa brasileira.

Passados 30 minutos, o jovem inicia seus argumentos a favor de um pensamento formulado por Platão que se refere às classificações quanto à existência de dois tipos de conhecimento. Segundo o filosofo, haveria o Dóxa, também chamado por senso comum, e a Alethéia.

Então, começa a dizer que o Dóxa é um tipo de conhecimento, pensamento, que faz parte da massa, partilhada sempre pela maioria de um grupo, e que é facilmente atacada pela razão. Diz que essa é uma nomenclatura utilizada para classificar o tipo de conhecimento do povo. Depois, comenta brevemente sobre o que é a Alethéia e diz que essa é a verdade. Alguns se perguntam “Verdade? Que verdade?”. Mas ele não diz mais nada.

Depois de um tempo, ele muda um pouco o foco da conversa, e faz uma afirmação que desponta a atenção de alguns. “A verdade só pode ser alcançada através da razão”. Faz um breve silencio e diz ter terminado a aula. Não abre um fórum de discussão, mas diz tudo o que pensa e nada mais.

E assim, o professor simplesmente pensa que passou todo o conhecimento para os alunos e que eles agora pensariam de uma forma mais racional e não mais como todo o resto da massa. Acha que assim contribuiu para a formação dos chamados crânios.
Ao terminar a aula, os alunos saem da sala. E passam a acreditar que não pensam mais como a massa. Julgam clichê a maneira como a maioria pensa. Uma pequena minoria, entretanto, se questionava: “Como alcançaríamos a verdade só pela razão?”.

Assim, essa minoria cava suas mentes e tentam encontrar uma solução mais sustentável para tal afirmação. Porque só pela razão podemos chegar à verdade? Porque teríamos acesso à emoção e à fé, se através delas não podemos chegar à verdade? Qual seria a função do caráter emocional e da fé para o homem? Desde quando haveria razão suficiente para chegarmos a uma verdade absoluta?

Diga-me dez verdades absolutas que alcançamos através da razão. Talvez, o pouco que você tenha pensado possa ser refutado pelo simples fato da razão ser apenas verdade aos nossos olhos. E se na realidade não existir razão? E se a razão é algo que achamos que temos certeza, mas na verdade faz parte do nosso pensamento egocêntrico que anseia achar respostas para todas as coisas?

O homem tem se preocupado em criar soluções para todos os problemas, tem criado respostas para todas as perguntas. Mas até quando ele se achará auto-suficiente a ponto de sobreviver a sua própria angústia?